Redescobrindo a vida — It's Lizzie



 Lizzie  

Redescobrindo a vida

No início de maio deste ano, o relacionamento de cinco anos que eu tinha acabou — coincidentemente na mesma semana em que eu quase morri por causa da intoxicação por uma planta que ingeri por engano. Fazia muito tempo que eu não ficava solteira e essa experiência tem me feito repensar a minha vida, principalmente sobre relacionamentos. Afinal, depois de ter dois relacionamentos extremamente longos que nunca passaram de namoro, é de me fazer questionar.

​E não, não estou conhecendo ninguém e nem saindo para aproveitar a vida como as pessoas da minha idade; afinal, estou na reta final do MBA. O MBA é mais interessante do que as conversas rasas e padronizadas que a maioria das pessoas tem ao conhecer alguém — do que você gosta, qual a sua cor favorita e, principalmente, aquela cantada horrível de que meu nome é de rainha, cantada essa que eu repudio veementemente.

​Estou em um processo curioso de redescobrir e descobrir o que eu gosto. Nesses últimos cinco anos, vivi tanto tempo imersa em uma cultura que não era a minha que acabei esquecendo algumas coisas de que gosto na minha própria cultura, e lembrar delas me faz sentir mais brasileira. O que é estranho, porque eu nem do Brasil saí.

​Apesar de ter me acostumado com a gastronomia asiática — e de ela ainda fazer parte da minha alimentação por escolha minha —, voltei a cozinhar comidas de que gosto, principalmente as que eu evitava preparar porque a outra pessoa não gostava. Voltei a ser ruiva e também voltei a ouvir músicas que, até então, tinha esquecido que gostava, além de descobrir algumas que ainda não conhecia. Tenho escutado bastante MPB antiga, inclusive algumas músicas antigas de samba que o meu pai escutava; acho que, de alguma forma, comecei a lidar melhor com a morte do meu pai depois de quatro anos.

​Estou organizando a minha vida para voltar a empreender, revendo o modelo de negócios, entre outras coisas; dessa vez, sem ruídos alheios. Sim, eu tenho hiperfoco em empreendedorismo desde os meus quinze anos e acho que nunca revelei isso aqui, apesar de o It’s Lizzie Space existir desde os meus 16. Ah, mês que vem irei a um evento de empreendedorismo feminino que vai acontecer no Teatro Bradesco, em São Paulo. E sim, essa informação vai totalmente contra o que a minha profissão mais preza, mas vai que algum de vocês aparece por lá e a gente socializa? Eu sei, tenho cara de brava, mas não se sintam intimidados por causa disso.

​Ah, e estou tentando deixar de ser sedentária! O Baruc, meu filho canino de dez anos, tem me ajudado e incentivado a fazer caminhadas diárias com ele. E, como vocês já devem saber, é claro que o Baruc não perderia a oportunidade de dar uma voltinha na rua. Ele é bem sociável, diria até que tem “síndrome de político” — desde que não sinta ciúmes de mim ou ache que estou em perigo.

​E por que estou compartilhando um pouco sobre como está a minha vida de solteira? Bom, a maior parte dos leitores do blog são mulheres, e talvez alguma de vocês esteja enfrentando algum término ou com medo de sair de um relacionamento complicado. E sim: há vida mesmo quando estamos solteiras. Nos primeiros dias, a gente se sente perdida, sente um turbilhão de sentimentos que vão desde a tristeza até a raiva, choramos até encher uma Cantareira e, depois, a vida e os sentimentos começam a se organizar. A vida é como uma fase de videogame: há fases tranquilas e outras extremamente difíceis, mas elas passam.
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A vida começa a ficar mais leve quando você volta a focar em si mesma e para de viver imersa em um caos que não é seu e que nunca foi. E fica mais leve ainda quando você para de se diminuir para caber em lugares e tentar atender a expectativas alheias.

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Oi! Eu sou a Lizzie e este é o meu espaço na blogosfera. Sou uma aquariana que estuda idiomas, ler livros e gosta de ter uma vida acadêmica. Saiba mais!